Tem coisas que acontecem dentro
das empresas que pensamos “meu Deus, que chatice, pra quê fazer isso?” e quando
a empresa decide normatizar o conhecimento de seus funcionários é, com certeza,
um desses processos que faz os funcionários reagirem exatamente desse jeito.
Mas hoje, vamos falar sobre a importância de documentar e gerir esse conhecimento dentro das corporações.
Quando um funcionário sai da empresa, ele leva consigo todo o conhecimento que ele possui (inclusive sempre bom afirmar: o conhecimento é um ativo a qual sempre vale a pena investir, pois ele fica com você pra sempre) e não é difícil vermos, com muita frequência, os times perdidos com os processos, ou então alguém tendo que parar o seu trabalho para ensinar o outro sobre os processos que a pessoa que saiu fazia.
Isso quando há alguém para ensinar, não é mesmo? Lembro
quando uma moça saiu da empresa, ela não conseguia passar as informações
corretas de seu processo pois estava nervosa (apesar dela ter cumprido aviso
prévio e ela mesma ter pedido pra sair), e ela era a única que fazia aquele
processo na empresa. Resultado: três pessoas foram mobilizadas para entender o
processo na raiz, falar com os fornecedores, entender ponto a ponto e procurar
documentar o que ela fazia para que a empresa não passasse mais por essa
situação.
Esse é um bom exemplo do que acontece quando um funcionário
sai e leva consigo todo o conhecimento sem que ele esteja documentado.
Mas há outras situações em que a falta do conhecimento
tácito se transformar em explícito impacta: um acidente repentino que leva ao
afastamento do funcionário, férias, demissão voluntária, dificuldade de subir
de cargo ou até mesmo a dificuldade em mandar o funcionário que não rende
embora porque “só ele sabe fazer o que faz”.
Transformar o conhecimento que a pessoa tem dentro de si em um conhecimento explícito, aplicável, documentado e prático é o que protege a empresa, o funcionário e faz com que a empresa siga caminhando, ao invés de ter que parar toda vez que há alguma demissão.
É como uma
receita de bolo
As receitas de bolo exemplificam bem o que é a gestão do
conhecimento: sua vó sabe fazer aquele bolo maravilhoso de laranja, mas sem a
receita escrita, guardada e ensinada, ninguém mais comerá o bolo de laranja da
vovó quando ela falecer.
Mesmo que a vó não tenha muita paciência ou gosto de ensinar
os filhos e netos, a receita escrita estará ali para guiar algum aventureiro na
cozinha a fazer o bolo exatamente como ela fazia.
E é isso que documentar as informações processuais faz com
sua empresa. Qual é a receita de bolo que sua empresa segue para continuar
funcionando?
No mundo
corporativo, a receita de bolo tem outros nomes
O mais conhecido nessa questão de documentação é o documento
chamado de POP – Procedimento Operacional Padrão, que é um documento de word
que detalha, passo a passo, tudo que é feito, do começo ao fim, de como
executar tal atividade.
Há também outros tipos de documentos, como:
- Instruções de Trabalho (IT): Mais detalhadas que o POP, focadas em uma única tarefa técnica.
- Manuais
de Qualidade: Descrevem o sistema de gestão da qualidade como um
todo.
- Base
de Conhecimento/Wiki: Repositórios digitais com respostas a
perguntas frequentes (FAQs) e tutoriais.
- Lições
Aprendidas: Relatórios pós-projeto que documentam o que funcionou
e o que falhou.
- Fluxogramas
de Processo: Representações visuais do fluxo de trabalho.
(Prometo escrever sobre cada um deles, e quando escrever,
você verá que será possível clicar em cima para obter um post mais detalhado).
O mais importante é que o documento tenha 4 pontos muitíssimos importantes:
- Qual o objetivo do documento (Ex: POP Verificação
de Mercadoria Recebida)
- Quem deve fazer (Ex: assistente de logística).
Lembre-se que é sempre o cargo, não quem, porque o “quem” sempre pode mudar.
- Como deve fazer. Aqui vem o passo a passo.
Importante escrever em linguagem imperativa, ex: faça, escreva, separe, e que
seja bem claro e instruído)
- Aplicabilidade. Depois de escrito, é importante que
alguém que nunca tenha feito o processo teste o documento para ver se há
dúvidas quanto à como fazer o processo. Se houver dúvidas ou lacunas (super
comum de acontecer porque quem faz o processo está tão acostumado que não se
atenta à todos os detalhes), o documento deve ser revisado e reescrito para que
fique com todos os passos 100% detalhados.
E quem
escreve?
O ideal é que seja o
próprio funcionário que escreva a pop, mas se houver uma equipe ou uma pessoa
específica para a realização da atividade de escrita, também pode ser. Nesse
caso, pode-se, por exemplo, criar uma reunião com o funcionário que executa a
tarefa para compreensão da atividade e posterior escrita.
No fim das contas, documentar processos não é apenas uma
exigência burocrática ou algo “chato” que a empresa pede para cumprir tabela.
É uma forma de preservar o conhecimento, proteger a
continuidade do trabalho e garantir que o crescimento da empresa não dependa
exclusivamente da memória ou da disponibilidade de uma única pessoa.
Empresas pequenas, principalmente, se beneficiam muito desse
tipo de prática. Quanto menor o time, maior é o impacto quando alguém sai ou
precisa se ausentar.
Quando o conhecimento está documentado, ele deixa de ser
algo individual e passa a ser um patrimônio da empresa.
E talvez essa seja a melhor forma de pensar sobre a gestão
do conhecimento: não como um conjunto de documentos esquecidos em uma pasta do
computador, mas como um legado que cada profissional deixa para que o trabalho
continue acontecendo.
Afinal, assim como na receita do bolo da vovó, quando o
conhecimento é registrado e compartilhado, ele deixa de pertencer a apenas uma
pessoa e passa a alimentar muitas outras.


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