“Crianças são como esponjinhas: absorvem tudo ao redor.”
Ouvi essa frase logo no começo da minha jornada como mãe e, com o tempo, percebi o quanto ela é verdadeira. Crianças aprendem nos observando. Aqueles pequenos seres curiosos olham para os adultos como referência de quem devem se tornar e, até que desenvolvam consciência crítica própria, passam muitos anos absorvendo silenciosamente aquilo que veem ao redor.
E não absorvem apenas o que é dito.
Absorvem o comportamento, o clima da casa, a forma como os adultos tratam uns aos outros, como lidam com frustrações, como demonstram carinho, como resolvem conflitos. Absorvem o que é falado, mas também o que nunca é dito.
Fonte: IAPouco a pouco, esse ambiente começa a influenciar como aquela criança passa a enxergar o mundo, as outras pessoas e principalmente a si mesma.
Criar filhos é uma missão complexa. E, justamente por isso, precisa ser vivida com consciência.
Não apenas com seriedade, mas com consciência.
O que aceitamos, o que não aceitamos, a forma como tratamos os outros e até como tratamos a nós mesmos acaba se tornando um tipo de referência silenciosa para os nossos filhos.
Às vezes é difícil olharmos para a própria vida e avaliar com clareza se estamos vivendo da maneira que gostaríamos. Mas existe um exercício simples que pode abrir nossos olhos, que é o de imaginar nossos filhos vivendo uma vida muito parecida com a nossa.
Se essa ideia nos traz orgulho, talvez estejamos no caminho certo.
Se traz algum desconforto, talvez seja um convite para refletir.
Nossos filhos inevitavelmente olharão para a forma como vivemos e, de alguma maneira, decidirão se querem seguir por um caminho parecido ou buscar algo diferente.
É claro que, quando se tornam adultos, cada pessoa é responsável por suas próprias escolhas. A infância influencia muito, mas não determina completamente quem alguém se tornará.
Ainda assim, aquilo que vivemos quando pequenos costuma deixar marcas profundas. Quando uma criança cresce sendo respeitada, ouvida e amada, ela aprende algo muito importante: aprende qual é o lugar que merece ocupar no mundo. Ela aprende que sua voz tem valor, que seus sentimentos importam e que amor não precisa vir acompanhado de medo, humilhação ou indiferença.
Infelizmente, o tratamento contrário também é real. Se uma criança cresce aprendendo que precisa se diminuir, que o amor é demonstrado por meio de humilhações, que não há carinho, ela também aprenderá isso, mesmo que essas ações não sejam diretamente contra ela, mas entre seus cuidadores, por exemplo.
Esse tipo de aprendizado acontece de maneira silenciosa, mas acompanha a pessoa pela vida inteira.
Quando adulta, ela ainda pode enfrentar relações difíceis, ambientes complicados ou situações injustas, afinal, ninguém está completamente protegido das dificuldades da vida. Mas dentro dela existirá uma referência do que é cuidado, do que é respeito, do que é amor saudável.
E essa referência funciona como uma espécie de alerta interno quando algo não está certo.
Por outro lado, isso não significa que pais precisam ser perfeitos. A maioria das famílias está apenas tentando fazer o melhor possível com aquilo que tem naquele momento. A criação de filhos é feita de acertos, erros, aprendizados e ajustes constantes.
Ainda assim, pequenas atitudes fazem muita diferença: ouvir a criança com atenção, demonstrar carinho, impor limites com respeito, dedicar tempo de qualidade, ensinar valores e mostrar, no dia a dia, o que significa tratar alguém com dignidade.
Tudo isso ajuda a construir uma base.
Criar filhos não é garantir o futuro deles, ninguém tem esse poder.
Mas é possível oferecer algo extremamente valioso, que é uma referência.
Uma infância onde houve presença, respeito, limites e amor pode se tornar uma espécie de bússola interna.
E quando a vida os colocar diante de caminhos difíceis e sabemos que a vida os colocará, talvez seja justamente essa bússola silenciosa que os ajude a perceber quando algo não está certo… e a escolher um caminho diferente.


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